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Um verão de incêndios e fogachos!
Opinião
Terça, 31 Agosto 2010 09:10

barreira_discurso

Já vai sendo normal que o País se incendeie em cada verão!

O que me parece anormal é a normalidade com que encaramos este fenómeno sazonal: as imagens das nossas florestas devastadas; o sofrimento causado a quem perde os seus haveres e quem morre para os salvar.

Todos os anos se repete a mesma saga, se ouvem as mesmas lamúrias, críticas e acusações e todos os anos esta calamidade se repete.

Desta vez foram mais de 70ha!

Alguns meus amigos estrangeiros, que acompanham normalmente as noticias de Portugal, perguntam-me se ainda resta alguma coisa para arder no País!?...E eu respondo-lhes, entre dentes...sim,... os incendiários!

Provado que está que, na origem da maior parte dos fogos, está a mão criminosa de bandidos ou doentes mentais, a nossa justiça, quando os apanha, usa de “mão leve” para os castigar ou para os mandar curar, dando um péssimo exemplo a todos os potenciais pirómanos e aos confessos culpados que, muitas vezes, voltam a reincidir.

De nada vale o nosso Ministro da Administração Interna vir a terreiro minimizar os prejuízos e reafirmar o seu grande empenhamento em combater esta catástrofe, afirmando que a área ardida este ano é inferior à de 2003. Não só porque ninguém o acusa de atear fogos, como me parece disparatado comparar o resultado de 2010 com o de 2003. Com 7 anos de diferença já deveríamos ter acautelado mais este tipo de flagelos.

Por falar em acautelar-nos dos fogos e inspirada no sucesso do porco preto ibérico, surgiu mais uma boa ideia da cooperação luso-espanhola.

Como uma das causas da fácil propagação dos fogos, é a falta de limpeza das forestas, os governos dos dois países decidiram comprar uns milhares de cabras e espalhá-las pelos nossos territórios fronteiriços. Os caprinos, não só vão comer o mato que serve de rastilho aos incêndios, como vão abastecer de carne as nossas “chanfanas ibéricas” e celebrizar o “queijinho cabreiro da raia”.

Já muitos pensam que, com um pouco de sorte e porque marram, as nossas cabras “bombeiras” até poderiam fazer mais um acréscimo de serviço público, ou seja, dar umas valentes cornadas nos incendiários.

Se a moda pega (e não roubarem as cabras...), acho até que as poderíamos utilizar noutro tipo de “limpezas”!...

Além dos grandes incêndios, que ajudaram a alargar o nosso “buraco” (o do Ozone, claro...), este verão português teve também pequenos fogachos de sociedade.

Um deles foi uma ameaça, de alguns ex-combatentes, em “ir ao focinho” (sic) do escritor Lobo Antunes. Em causa estavam declarações deste intelectual, sobre o acção dos nossos militares em Angola, ao tempo da guerra colonial, classificando os seus comportamentos de forma injuriosa.

Se do “bate-papo” que entretanto se travou (mentira histórica ou ficção abusiva do autor...), ninguém ficou convicto de que o nosso mediático escritor se tivesse arrependido do que disse, uma coisa ficou provada, os nosso antigos militares ainda estão vivos e prontos para as “curvas”, na defesa da sua honra, não admitindo ser tratados como doentes mentais do psiquiatra romancista!

Outro fogacho que se incendiou no início do verão, mas que foi de imediato apagado pelo “chuveiro” das críticas gerais, tendo feito “arder” algumas intenções de voto, foi a proposta de revisão constitucional do lider do PSD que, com receio de vir a “queimar” os dedos, voltou a guardar os “fósforos” no bolso.

O azar perseguiu as intenções do político, quando ameaçou votar contra o Orçamento de Estado. De Belém, veio uma “mangueirada” para refriar os ânimos e lembrar que, ao nível dos voluntários, já não temos bombeiros que cheguem para apagar as consequências de mais “fogueiras políticas”.

Quem não quiz deixar de meter uma “acha na fogueira”, foi o dirigente do CDS, propondo um referendo popular para endurecer a justiça. Se bem que o resultado prático imediato desta iniciativa, origine mais “fumo” que “fogo”, é bom lembrar os nossos deputados que, os portugueses, estão em “alerta vermelho” quanto à forma como a justiça do País é aplicada. É bom que se lembrem agora para que, mais tarde, não tenham de chamar os “bombeiros”!

Com o “calor” da crise que se faz sentir neste verão, pensei que os espíritos se incendiassem mais, mas afinal parece que quase todos foram a “banhos”.

Num momento em que o País está muito “seco”, resta-nos esperar que não o arrisquem com mais “fogo de artifício” e esperar pelo sucesso das cabras!

Luis Barreira

 
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